quarta-feira, 15 de maio de 2019

Desabafo do inconformado




Eu tenho pensamentos, sentimentos dentro de mim que eu não os consigo explicar.
Eu tenho sonhos, eu tenho visões e eu não sei o que fazer com eles.
Às vezes eu simplesmente me aquieto e os deixo passar, outras vezes, eu me sinto sufocar.
Eu gostaria de mudar o mundo, mas eu sou apenas uma garota. Uma garota sem voz que você nem ao menos conhece. Mas quando eu olho ao meu redor tá tudo tão errado, é tudo tão desconexo e fora do lugar. E eu sinto que eu preciso fazer algo.
Mas quem eu sou? Em que mundo eu vivo hoje? O que realmente é importante hoje?
Eu me sinto as vezes em uma bolha onde as pessoas só conseguem ver televisão, navegar na rede social e não conseguem sentir, não conseguem se mexer, não conseguem se explodir. Explodir seus sentimentos, suas emoções.
E eu me sinto feia quando eu falo do amor. E eu me sinto esquisita quando falo de justiça. É como se hoje a gente vivesse uma alienação desejada. É como se no fundo, a gente achasse que não tem mais jeito ou que não temos mais que lutar por nada.
E então a gente segue, andando nas nuvens sem olhar pra baixo, sem olhar pra quem está em baixo, pra quem tá ao redor.
Eu tenho sentimentos, pensamentos em mim que, eu realmente não sei como lidar com eles. Aí eu penso que eu posso escrever... e escrever, quem vai ler? Eu penso que eu posso cantar, e cantar, quem vai ouvir?
Eu penso até que eu posso tentar dançar, mas eu nem levo jeito tanto pra isso... e quem vai entender o que meu corpo fala? Tem alguma coisa errada. Alguma coisa precisa ser dita, alguma coisa precisa ser feita.
Eu sou de uma geração que lê tanta história, que já ouviu falar de tanta luta, mas que tá conformada, que tem medo, que tem receio, ou simplesmente, desesperança. Ou quem sabe, a gente tem é apego. A gente tem apego ao que a gente tem. A gente tem apego ao nosso salário, a gente tem apego à nossa conta bancária, a gente tem apego aos nossos sonhos individuais. A gente tem apego ao nosso sonho de formar família, ao nosso sonho de ficar na nossa sala de estar, com nossa TV de 50 polegadas vendo netflix.
Eh talvez isso seja uma vida que valha a pena. Acordar de manhã, ir ao trabalho. Final do mês, pagar minhas contas. Final de semana, vamo lá dá um abraço no meu pai, na minha mãe, comer com meus amigos. Aí eu volto pra minha rotina na segunda-feira fazendo algo que não sei ao certo aonde que vai dar, se está servindo para algum propósito maior ou não.
Talvez... será mesmo que foi pra essa vida pra qual a gente foi escolhido? Como que um ser pensante, como que eu saindo do barro, fui modelada, recebi o fôlego e o espírito de vida pra nada? Pra viver uma vida morna, pra viver uma vida que não faz diferença em nada!
Como eu posso sentar ao lado do meu próximo e não ter empatia? Não o observar, não tentar sentir? Como que eu posso ver algo errado, ver a injustiça e não dizer nada? Como eu posso não tentar mudar o contexto ao meu redor? Como eu posso ter a bíblia nas mãos e não vive-la? Como eu posso ser lavada no sangue e não sangrar pelos perdidos, pelos esquecidos, pelos injuriados? Não orar, não chorar com os que choram?
É tanta gente com poder nas mãos mas sem a menor vontade de fazer o bem. E isso, isso é um pecado. E eu que não tenho poder nenhum e tanta vontade de fazer o bem, o que eu posso fazer? Quem sou eu neste mundo? Pra quê eu vim mesmo? Por quê que eu tô aqui?
Qual o meu propósito nessa vida? Por favor, me mostre! Me ajude, me ajude! Me ajude a ser um reflexo do seu amor, tua justiça e paz! Me ajude a ser um canal por onde o Senhor passa e liberta. Me ajude a entender tudo isso que eu sinto e a transformar isso em algo que vale a pena e não somente uma onda de sentimentos introspectivos que me deixam calada e me sentindo estranha no mundo.
Deve haver outros estranhos como eu, não?
Eu realmente gostaria de mudar o mundo.
Quem sabe eu não possa mudar o mundo inteiro mas consiga mudar o mundo de alguém.
Será que eu consigo pelo menos isso?

by@prisvieira


domingo, 12 de maio de 2019

Meu primeiro E-Book




Então, pessoal. Esta postagem é para partilhar com vocês o eu primeiro e-book lançado ontem na Saraiva. Decidi reunir todos os textos do blog com maior número de views e também alguns que eu particularmente gosto e selecionei 20 para publicar.
Quem já conhece o blog, não pode deixar de baixar e levar no teu e-reader, tablete ou celular.
Melhor, compartilhe a notícia! Espalhe essas mensagens!

Se faz bem pra você pode fazer bem pra outros!

Lembrando que esse é apenas um pequeno passo de impulso para o lançamento de um romance que venho escrevendo há um tempo. Quanto mais vocês me ajudarem melhor, hein!

Para adquirir, só clicar em cima da imagem da capa!

Beijos e siga teu sonho!


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Sobre a depressão, a ansiedade e a compulsão - Parte 2



ANSIEDADE

Não poderia ter dia melhor para escrever a segunda parte dessa série sobre Depressão, Ansiedade e Compulsão, e falarmos sobre o segundo tópico da lista.
Sim, vamos falar da ANSIEDADE, que logo no primeiro dia do ano vem bater à nossa porta com toda a violência que lhe é característica.

O quê fazer no próximo ano? O quê devo pensar, planejar? Quais ciclos devo encerrar e quais devo iniciar? E logo começam os demais pensamentos mais nocivos: "Estou confuso!", "Estou com medo!", " E se não der certo?", "Não quero errar de novo", e por aí vai.

A ansiedade, por si só, não é algo ruim. Sempre achei que eu tinha isso como algo bom em mim, pois me faz correr atrás do que eu quero, me faz tomar atitude e não ficar prostrada, me faz arriscar quando necessário. O problema é quando ela começa a virar um mal, uma dor, uma asfixia.
Asfixia. Se você é ansioso concordará comigo que essa palavra define bem a ansiedade quando entra no estágio não saudável.

É como se todos os temores, desejos, anseios, medos, sonhos, planos se tornassem uma avalanche de desespero. Angústia, inquietação e até inércia começam a assumir o controle e para irmos para a compulsão e a depressão, dos quais essa série também trata (leia sobre depressão aqui), é uma questão de tempo.

Hoje, o que mais ouvimos falar são de patologias e problemas físicos que são resultado de má gerência da ansiedade. E eu, mais uma vez quero usar este blog para tentar te ajudar nisso. Assim como falei no post sobre depressão, não sou médica, nem terapeuta, nem psicóloga nem nada. Não pretendo indicar tratamento e muito menos substituir sua consulta ao psicólogo.
Minha intenção aqui é apenas compartilhar como eu venci (ou tenho vencido) a ansiedade e assim, quem sabe, te ser útil, amigo leitor.

Vamos então listar alguns pontos para vencer a ansiedade, conforme minha experiência.

1. Identificar, entender e aceitar.

Antes de tentar resolver qualquer problema, você precisa identificá-lo. Como posso tentar solucionar algo que nem sei ou acredito que tenho? No meu caso, sempre achei que a ansiedade era algo comum a todos, apenas uma pressa, vontade exacerbada, coisa que poderia passar com o tempo. Como cristã, sempre li textos bíblicos a respeito da ansiedade e diversas canções que admoestam a não sermos ansiosos. Mas eu era mesmo quando achava que estava calma.
Após uma fase difícil que atravessei, de mudanças e pressões, já amadurecida, percebi que muitas coisas que eu sentia não eram normais. Comecei a me auto-avaliar e me dei conta que, ao longo de toda a minha existência, sempre fui extremamente ansiosa e manifestava isso de diversas maneiras, ainda que inconscientemente. Entra aí a fase de entender para então aceitar.

Na escrita - sempre escrevi rápido. Tão rápido que comia as letras. Sempre fui aquela aluna que os professores do primário indicavam caderno de caligrafia pois escrevia com garranchos. Me recordo de ter lições em caderno de caligrafia até a quarta série (hoje quinto ano do ensino fundamental). Ninguém mais usa caderno de caligrafia nessa etapa, mas eu sim. E que chato era pra mim ter que escrever devagar, pensando em cada forma de letra. Então eu dormia e deixava para minha irmã fazer (confesso meu pecado), pois ela sempre gostou disso (não é a toa que depois veio a ser professora).
Também tenho a lembrança de minha mãe ter sido chamada pela professora para alertar sobre um possível problema oftalmológico que eu pudesse ter, porque eu escrevia as palavras faltando letras. Mas, assim como hoje, eu sempre enxerguei muito bem. O problema estava na ansiedade, na falta de paciência de ter que escrever palavra por palavra. Sempre amei escrever, mas se eu pudesse transferir as palavras diretamente da minha mente para o papel sem ter que esforçar meus dedinhos inquietos seria magnífico!
Resultado - hoje ainda escrevo com garranchos, adaptei cada letra do alfabeto que eu não achava legal de como diziam que eu "deveria" escrever para uma nova forma que eu acho melhor e mais bonita. Ainda as como, mesmo que seja em teclados digitais (celular, notebook). Como fiz pra melhorar isso? Tento reler o que escrevo, mas não é muito fácil.

Na fala - sempre falei rápido. Tão rápido que ninguém entendia. Uma vez comecei a me consultar com uma fonoaudióloga e ela me disse que meus pensamentos eram mais rápidos que minha língua e que eu não respirava pra falar, logo engolia o som sem perceber. Ironicamente, sempre gostei de apresentações em público e sempre me saí muito bem com minha oratória. No entanto, em uma conversa normal, as pessoas geralmente me interrompiam pra dizer que não estavam entendendo ou pra repetir o que eu disse. Outras fingiam entender e faziam cara de paisagem talvez tentando ser educadas (não faça isso!). Hoje eu melhorei muitíssimo e isso se dá porque consigo perceber quando falo pra dentro ou em velocidade além da compreensão humana. As poucas consultas da fono me ajudaram a perceber isso, exercícios de respiração e, mais recentemente, ter tido a experiencia do intercambio linguístico onde precisei falar inglês o tempo todo, o que requeria de mim falar mais pausadamente, pensando no que eu iria falar e articulando as palavras. Tudo o que eu não faço em minha língua nativa, mas que acabei transferindo para a prática diária inconscientemente.

No corpo - sempre andei rápido. Tão rápido que vivia a cair e tropeçar. Também suo horrores. E quando não estou andando, estou sempre me sacudindo. Mexendo as pernas, os pés, o quadril ou o corpo todo. As vezes estou sentada e, caso não haja encosto, fico levando o tronco pra frente e pra trás feito um lunático no manicômio. Mas eu não sou lunática (eu acho), é apenas ansiedade sendo extravasada pelo meu corpo. Melhoro muito isso com atividade física. Percebo que quando corro, ou caminho vigorosamente, consigo ficar sentada simplesmente parada, sem mexer nenhum membro do corpo e isso é fantástico! Prática de exercícios como ioga e pilates ajudam muito para que o corpo consiga se manter em calma quando necessário.

Após identificar e entender, finalmente aceitei que era uma pessoa ansiosa quando um belo dia, ajoelhada em meu leito para oração, senti todo o meu corpo tremer. Assim, do nada. Tremer tudo, todas as partes do meu corpo, sem parar. Lembrei que quando tinha por volta de onze a doze anos tinha vivido episódios semelhantes que foram apaziguados pelas orações da minha mãe. Me dei conta que aquilo era a ansiedade deixando de ser um sentimento para ser uma doença. Minhas ânsias estavam escapulindo, transbordando pelos meus poros e aquilo não poderia ser algo normal. Então, algo precisava ser feito.

2. Mostre a ansiedade quem é que manda
Assim como abordei na questão da depressão, é preciso lutar contra a ansiedade inciando-se com sua própria vontade de vencê-la. Sempre que perceber que o desejo virou angústia e os sonhos obsessão, é  hora de parar tudo e cuidar da mente. Aceite que nem tudo ( ou quase nada) está sob teu controle. Nem sempre você tem que resolver as coisas do teu jeito ou agir para solucionar problemas. Nem sempre correr atrás é saudável e ficar pensando o tempo todo em algo é normal somente até o ponto que não te impeça de pensar e fazer outras coisas. Há situações que não podemos mudar, apressar ou fazer acontecer e, ainda que as mídias, a sociedade e as pessoas te digam "FAÇA", "NÃO PERCA TEMPO", você precisa saber a hora de ficar parado, quieto, respirando fundo e refletindo.
Um dos primeiros passos para vencer a ansiedade é parar de se cobrar tanto por tudo, entender seu tempo e aceitar suas incapacidades e limitações. Não estou falando de complexo de inferioridade ou ser pessimista achando que nada vai dar certo, mas de aceitar que nem sempre se vence e que todos nós falhamos ou temos degraus a serem subidos, dia a pós dia.

3. As pessoas não têm culpa de você ser ansioso
Ninguém é obrigado a ser como você quer, a fazer o que você quer do jeito que você quer e na hora que você quer. As pessoas são como enormes engrenagens que, apesar de precisar umas das outras para girar, giram em velocidades diferentes, conforme seu propósito. Também, nem sempre se deve resolver aquele assunto naquele momento. Respire, tente entender o lado do outro, reflita sobre a real relevância da situação e se vale a pena falar ou se você estará simplesmente despejando toda a sua ansiedade nos ombros da outra pessoa. Ansiedade destrói relacionamentos.

4. Você não têm culpa de ser ansioso
Por outro lado, você também não pode ficar se martirizando o tempo todo por uma palavra não dita, uma atitude precitada, uma decisão mal tomada. Isso sim é normal e faz parte da vida. Todos erram o tempo todo. O que não é normal é não recolher um aprendizado com o erro e não se perceber como uma vítima de um transtorno que precisa ser tratado. Busque ajuda, faça um oração, desfoque e siga em frente.

5. Sim, você precisa de ajuda
Assim como a fonoaudióloga me ajudou a detectar meu problema na fala, o psicólogo ou psiquiatra pode te ajudar a diagnosticar os problemas causados pela ansiedade e te ajudar a tratá-los. Quando a ansiedade perdura e não passa com um simples exercício de meditação, é hora de apertar o alerta vermelho e buscar apoio profissional.

6. Um dia de cada vez, um leão por dia
Em Deus, tenho vencido e melhorado cada dia mais. Tenho conseguido controlar a ansiedade e não me deixar ser dominada por ela. Mas é uma guerra a ser ganha diariamente, cultivando bons hábitos, negando sofismas mentais e declarando palavras de fé e cura para minha alma. A Bíblia nos recomenda a lançar sobre Cristo toda a nossa ansiedade porque Ele tem cuidado de nós. Isso é tão profundo! Pegar todo esse peso, essa pressão, essa angústia que nos sufoca e dói e render aos seus pés, lançar a carga em seus ombros. Ele tem cuidado de tudo. No ano que se passou Ele me falou muito sobre entrega. Muitas foram as vezes em que disse em uma oração da noite que estava o entregando meus problemas e logo na manhã seguinte estava nervosa a respeito, pensando em que atitude tomar para sanar. Mas entregar é entregar! É tirar das suas mãos e colocar nas dele para que Ele faça TODO o trabalho e não apenas uma parte.
E ele fará do jeito dele. E é nesse B-A-BA que Deus tem me ensinado o verdadeiro significado de confiar, esperar com paciência. Confiar que a ação dele é melhor que a nossa, que os nãos dele são os sims para uma vida melhor e que nada nem ninguém pode roubar nossa paz.
Não existe nada melhor do que deitar e dormir tranquilo sabendo que tem alguém cuidando para que tudo corra bem no seu amanhã.



Aceite que você é ansioso mas não aceite que a ansiedade te vença! Repudie pensamentos que lhe deixem inquieto. Planeje, sonhe, faça, crie! Mas sem atropelar o tempo, as pessoas e as fases.
Largue a mão do controle e deixe a vida acontecer com Deus.

Espero que isso aqui te ajude.

Se quiser, há alguns outros posts sobre ansiedade. Seguem os links:

ANSIEDADE

NÓS, OS ANSIOSOS

ME ENSINE

AS CHUVAS DO OUTONO E DA PRIMAVERA

Também alguns links de outros sites que falam sobre doenças causadas pela ansiedade:

O pior de todos os males
 Vídeo legal do Augusto Cury
by PIU

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